Para facilitar mais a compreensão desse transtorno, vou contar pra vocês a história da Cláudia (nome fictício).
Cláudia é uma mulher que já se consultou com diversos psiquiatras diferentes, já tomou inúmeras medicações, mas nunca ficou tão bem quanto espera ficar. Os médicos dizem que ela sofre de depressão e ansiedade, passam antidepressivos e ansiolíticos, mas ela nunca melhora.
Desde sua juventude, Cláudia sempre teve muita dificuldade para lidar com "nãos" e frustrações. Diante disso, ela reagia de forma muito intensa. Tão intensa que até morrer era cogitado como solução para aquele sofrimento.
Em uma determinada época, Cláudia começou a trocar a dor emocional por uma dor física. Começou a cortar seus próprios braços. E, por incrível que pareça, aquilo gerava um alívio momentâneo e, por isso, isso foi virando um hábito.
Os relacionamentos eram muito fugazes. Desgastavam-se rapidamente, devido às brigas e discussões tão frequentes.
As pessoas de seu convívio diário começaram a falar que Cláudia devia ser bipolar, porque uma hora ela estava muito alegre e em outra hora seu humor já tinha mudado completamente. Uma tremenda instabilidade emocional.
Até que, finalmente, um psiquiatra conseguiu esclarecer o problema. Cláudia é portadora do Transtorno de Personalidade Borderline, ou Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável.
Pessoas com esse transtorno são muito instáveis emocionalmente, têm um baixo limiar à frustração e reagem de forma muito intensa e impulsiva às adversidades do dia a dia. Sentem uma sensação de vazio crônico que nunca conseguem preencher.
Um psiquiatra pode ajudar bastante a aliviar o sofrimento desses pacientes, mas é essencial que, além do acompanhamento psiquiátrico, o paciente se insira também em um acompanhamento psicoterápico.