O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição marcada por instabilidade emocional intensa, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, impulsividade e uma sensação crônica de vazio. Pessoas com esse diagnóstico frequentemente experimentam oscilações rápidas de humor, medo intenso de abandono, padrões de idealização e desvalorização nas relações, e, em alguns casos, comportamentos autolesivos.
O TPB é um dos transtornos de personalidade mais complexos e, infelizmente, ainda cercado de estigma — tanto na sociedade quanto, por vezes, entre profissionais de saúde. Compreendo que o sofrimento é real e intenso, e que essas pessoas merecem acolhimento e tratamento qualificado, sem rótulos ou julgamentos.
O diagnóstico requer uma avaliação cuidadosa da história de vida, dos padrões de funcionamento ao longo do tempo e da dinâmica emocional do paciente. É importante diferenciar o TPB de outros quadros que podem apresentar sintomas semelhantes, como transtorno bipolar, TDAH e transtornos de ansiedade. Essa diferenciação impacta diretamente na conduta terapêutica.
No tratamento, a psicoterapia especializada — como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) — é considerada o pilar central. Meu papel como psiquiatra é oferecer o acompanhamento farmacológico quando indicado — para sintomas como impulsividade, instabilidade afetiva intensa ou comorbidades —, manter uma relação terapêutica estável e consistente, e trabalhar em articulação com a equipe de psicoterapia. A abordagem é colaborativa, respeitando o tempo e o processo de cada paciente.