O Burnout — ou Síndrome do Esgotamento Profissional — é um quadro cada vez mais frequente, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional. Ele se manifesta por meio de exaustão emocional intensa, distanciamento afetivo em relação ao trabalho (cinismo ou despersonalização) e queda significativa no desempenho profissional. A pessoa sente que, por mais que se esforce, não consegue mais dar conta das demandas.
Os sintomas do Burnout frequentemente se confundem com os de depressão e transtornos de ansiedade: cansaço extremo, irritabilidade, dificuldade de concentração, insônia, dores no corpo e perda de motivação. Por isso, uma avaliação psiquiátrica criteriosa é essencial para diferenciar o Burnout de outros quadros e identificar se há comorbidades que precisam ser tratadas simultaneamente.
Na minha avaliação, procuro entender o contexto completo: as condições de trabalho, a dinâmica organizacional, a história de vida do paciente e os recursos pessoais que ele dispõe. Essa compreensão ampla permite construir um plano terapêutico que não se limite à medicação, mas que considere mudanças concretas no estilo de vida e nas relações com o trabalho.
O tratamento pode envolver suporte farmacológico — especialmente quando há sintomas depressivos ou ansiosos associados —, orientação sobre manejo do estresse, recomendação de psicoterapia e, quando necessário, a indicação de afastamento temporário. Meu objetivo é ajudar o paciente a restaurar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, prevenindo recaídas e promovendo uma relação mais saudável e sustentável com o trabalho.