As dependências — sejam de substâncias como álcool, tabaco, maconha, cocaína e outras drogas, ou de comportamentos como o uso excessivo de telas, redes sociais e jogos — são condições que afetam profundamente a saúde mental, os relacionamentos e a funcionalidade da pessoa. A dependência envolve alterações nos sistemas de recompensa do cérebro, tornando difícil o controle voluntário do uso mesmo diante de consequências negativas evidentes.
As dependências digitais são um fenômeno cada vez mais relevante na prática clínica contemporânea. O uso problemático de smartphones, redes sociais, jogos online e pornografia pode gerar prejuízos comparáveis aos das dependências químicas: isolamento, comprometimento do sono, queda no desempenho profissional e acadêmico, e sofrimento emocional significativo.
O diagnóstico envolve uma avaliação cuidadosa do padrão de uso, dos impactos na vida do paciente e da presença de comorbidades — como depressão, ansiedade, TDAH e transtornos de personalidade — que frequentemente coexistem com as dependências e precisam ser tratadas em conjunto para um resultado efetivo.
Minha abordagem é integrada e centrada no paciente. Utilizo estratégias de redução de danos quando a abstinência total não é viável ou desejada, manejo farmacológico para controle de fissura e tratamento de comorbidades, e trabalho em articulação com psicólogos e outros profissionais. O respeito à autonomia do paciente é fundamental: o tratamento é construído em parceria, sem julgamentos, com foco na recuperação gradual e sustentável.