As psicoses iniciais representam o momento mais decisivo na trajetória de uma pessoa que vivencia sintomas psicóticos pela primeira vez. Trata-se de um período em que podem surgir alucinações, delírios, desorganização do pensamento e alterações significativas no comportamento. Esse primeiro episódio costuma gerar grande angústia tanto para o paciente quanto para seus familiares, e é justamente nessa fase que a intervenção adequada faz a maior diferença no prognóstico a longo prazo.
Como doutor em Psiquiatria pela UNIFESP com pesquisa dedicada a esse tema, dedico especial atenção à identificação precoce desses quadros. Quanto menor a duração da psicose sem tratamento — o que chamamos de DUP (Duration of Untreated Psychosis) —, melhores são as chances de recuperação funcional e social. Minha tese de doutorado investigou justamente esse impacto, e aplico esse conhecimento diretamente na prática clínica.
O diagnóstico diferencial é fundamental: nem todo sintoma psicótico significa esquizofrenia. Existem diversas causas possíveis, incluindo condições médicas, uso de substâncias e outros transtornos psiquiátricos. Uma avaliação minuciosa, com escuta atenta da história de vida e exame detalhado, é o primeiro passo para definir a melhor conduta.
Minha abordagem combina o uso criterioso de medicação com acompanhamento próximo, psicoeducação para pacientes e familiares, e integração com outros profissionais quando necessário. O objetivo não é apenas controlar os sintomas, mas promover a melhor qualidade de vida possível, respeitando a singularidade de cada pessoa.